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Craques que deixaram saudades - Pagão

(Um pagão amigo dos santos)


Segundo as crenças religiosas as pessoas que não se batizam são chamadas de pagão, pagão que dizer na língua religiosa pessoas que não são conhecidas por Deus, os chamados ateus, mas isso é mera tradição, pois segundo as escrituras sagradas Deus considera todos como seus filhos e por pior que seja o indivíduo Deus lhe dá a chance de um dia se regenerar.

Muitas pessoas não se batizam, não frequentam nenhuma religião, talvez por falta de esclarecimento cristão, mas no fundo tem um bom coração, esse era o caso de Pagão um dos grandes atacantes do futebol brasileiro que ainda menino nas categorias de base do Santos recebeu esse apelido por nunca ter sido batizado, mas Pagão mostrou ao longo de sua carreira que era abençoado e amigo dos santos e por esse motivo começou no Santos Futebol Clube.

Nos seus primeiros passos no futebol ele já mostrava seu grande faro de gol e era sempre o artilheiro dos campeonatos onde participava. Em 1960 embora o time do Santos tivesse uma verdadeira seleção o técnico Lula alçou Pavão ao time titular em uma equipe que contava com Pelé, Pepe, Zito, Mengalvio, Dorval, Dalmo entre outros.

Nesse time onde Pelé era a grande estrela, Pagão sempre despontava como grande artilheiro. Em 1970 velho e cansado, o famoso técnico Lula deixou o comando do Santos, e o novo treinador resolveu barrar Pagão dando oportunidade a outro garoto que despontava chamado Coutinho que ao lado de Pelé proporcionou as mais famosas tabelinhas do futebol brasileiro.

Pagão desgostoso e mostrando-se mais uma vez amigo dos santos procurou outro clube com o nome de santo o São Paulo Futebol Clube.

No tricolor paulista Pagão ganhou vários títulos e como sempre se destacando como artilheiro. No dia 05 de abril de 1991 o grande craque partiu para o além e como sempre defendeu os santos deve ter também convencido São Pedro que apesar de pagão também merecia um lugarzinho no céu.

 

Ideia luminosa inspirou o futebol noturno

A paixão do brasileiro pelo futebol vem de muitos e muitos anos, muito antes desse esporte ser tão popular como é atualmente.

Quando o inglês Charles Miller desembarcou no Brasil com uma bola debaixo dos braços, ele mesmo não imaginava que este esporte ia se transformar na grande paixão nacional.

Filho de ingleses, mas estudando em São Paulo, Charles Miller implantou no país o esporte inventado pelos seus patriotas, mas para o lazer dos seus amigos estudantes do que para grandes competições que se tornou paixão nacional.

Em pouco tempo, o futebol ganhou vários adeptos e lentamente começaram aparecer grandes talentos, os jogos eram sempre realizados aos domingos pela manhã em campos de terra batida e devido o crescimento destas peladas Charles Miller resolveu criar o primeiro campeonato paulista em 1904 com a participação de seis equipes.

Naquela época surgia no nosso país a grande novidade no meio de transportes, os bondes elétricos que substituíram os bondes puxados por burros na época do império.

E foi dos bondes que surgiu a idéia dos jogos noturnos, a história é o seguinte: Existiam em São Paulo duas empresas de bondes e seus funcionários na maioria eram adeptos das peladas, usavam um terreno do estacionamento da empresa para os jogos de domingos pela manhã.

Mais os bondes funcionavam ininterruptamente de domingo a domingo e alguns funcionários ficavam impedidos de participar das brincadeiras.

Naquela época o fluxo de veículos não era tão intenso como é hoje e os bondes encerravam suas atividades às 20h, aí surgiu à ideia luminosa. Alguns funcionários resolveram colocar postes de madeiras no estacionamento e usando a eletricidade das baterias dos bondes e instalaram refletores e passaram as peladas para os fins das atividades após às 20h, inspirado nessa ideia foi inaugurado os primeiros refletores no extinto estádio de futebol Veladrome onde hoje é o Pacaembu.

Para homenagear os criadores da ideia luminosa foi promovido um jogo entre os dois times das empresas de bondes, o jogo terminou 0x0 com uma grande festa e muita confraternização.

Esse fato aconteceu no dia 23-06-1923 e entrou para historia do nosso glorioso futebol. 

 

Futebol na televisão começou com confusão

Já contei aqui na nossa coluna fatos curiosos do nosso futebol, desde a chegada desse esporte no nosso país, e até os dias de hoje.

Agora falam da televisão, que se aliou aos clubes e se tornou uma das principais fontes de renda para os combalidos cofres dos nossos clubes.

Quando o futebol chegou até nós, ele era totalmente desconhecido, pois só se praticava esse esporte na Europa e assim mesmo em poucos países. Inventado pelos ingleses, além da Inglaterra, Escócia, País de Galles e Irlanda do Norte, países que formavam o Reino Unido.

Após se espalhar por outros países finalmente ele chegou ao Brasil e naquela época ninguém poderia imaginar que este esporte se tornaria a grande paixão dos brasileiros e chegaria ao nível do profissionalismo dos dias de hoje.

Mas o tema de hoje, é a televisão, e por que a televisão? Porque esse veículo de transmissões passou a se integrar ao futebol e hoje a TV está para o futebol como a goiabada para o queijo, o futebol não sobrevive sem a TV e vice-versa.

A televisão maravilha da tecnologia chegou ao Brasil em 1950, os aparelhos eram privilégios dos milionários, eram todos importados com caixas de madeira pesadas, com válvulas, e consumia muita energia.

A primeira estação de TV foi a TV Tupi que hoje passou a Record. Em 1952  a TV Tupi realizou a primeira transmissão de um jogo de futebol e a partida escolhida foi Santos e Palmeiras no Pacaembu pelo Campeonato Paulista onde o Palmeiras venceu por 2 a 0.

Sem os recursos da tecnologia atual a transmissão foi precária com vários cortes e a imagem não tão nítida como ocorre hoje, e para piorar os clubes envolvidos processaram a emissora pois, a renda da partida foi brutalmente atingida pois a maioria dos torcedores preferiram ficar em casa ou na casa de um amigo para assistir a grande novidade de ver o futebol de dentro de sua casa.

Devido a este fato a televisão desistiu do futebol preferindo exibir filmes estrangeiros, programas de calouros e mais tarde outra grande novidade que passou a ser as novelas.

Depois da Copa de 70 no México onde o Brasil conquistou o seu terceiro título mundial, a antiga CBD resolveu criar o campeonato nacional e clubes e televisão chegaram a um acordo com a TV conseguindo os direitos de transmissões pagando cotas aos clubes o que proporcionou uma boa fonte de renda para ambos os lados.

Deu uma briga na justiça entre TV e clube, surgiu a grande oportunidade para Clubes e TV chegarem a um acordo e viverem para sempre inseparáveis.

 

Craques que deixaram saudades. Pedro Bala, o goleiro dançarino

Aqui na nossa coluna já falamos de grandes goleiros miracemenses, pois nossa cidade sempre foi o seleiro de grandes craques especialmente no gol, posição que éramos referência na região.

Hoje vamos falar de Pedro Bala, um mulato alto, magro, mais de grande agilidade e grande elasticidade.

Pedro Bala foi uns dos grandes goleiros miracemenses nas décadas de 50, 60 e 70, maravilhava o público com defesas arrojadas defendendo o gol do Esportivo.

Ele não tinha grandes ambições, enquanto muitos colegas trocavam de times atraídos por dinheiro ou empregos, ele sempre jogou no Esportivo. Pedro Bala era vaidoso, fora das quatro linhas gostava sempre de usar terno e gravata e era exímio dançarino.

O saudoso Gerson Alvim Coimbra chefão do Esportivo naquela época ia à loucura, pois aos sábados vésperas de grandes jogos Pedro Bala passava as noites nos animados bailes no antigo salão do Mercado e na antiga sede Operária, dizem que Gerson até pagavam algumas pessoas para vigiar Pedro Bala para ele não cometer excesso, mas o goleiro dançava até o dia amanhecer, voltava para casa, dormia um pouco, almoçava e a tarde fechava o gol em partidas memoráveis.

Pedro Bala, cujo nome real era Augusto, tinha duas paixões, o futebol e o baile e em ambas atividades sempre foi um grande destaque. Resolveu abandonar o futebol em uma partida festiva contra o Tabajara de São Fidélis, no dia 15 de maio de 1970, o Esportivo venceu por 2 a 1, com gols de Nenei e Marconi, e para variar Pedro Bala fechou o gol e ainda pegou um pênalti.

No último jogo do goleiro o Esportivo usou este time: Pedro Bala, Tarcísio Lomba, Chapadão, Pernoca e Laerte, Rubinho Nenei e Julinho (Cícero), Sigmair (Lair), Palmense (Neivinho), Marconi.

Vinte anos depois, no dia 04 de outubro de 1993, Pedro Bala faleceu deixando seu nome no rol dos grandes goleiros miracemenses.


 

O homem dos sete instrumentos

Quando uma pessoa exerce várias funções ou tem várias profissões são chamados de homens dos sete instrumentos, no futebol quando um jogador exerce várias funções são chamados de polivalentes e é preferido dos treinadores.

Meu velho e saudoso pai, dizia que todos que exercem várias profissões são bons, em uma ou duas, mas nas outras são ruins ou apenas regulares, era a opinião do velho, mas existem exceções embora raramente.

Em Miracema tivemos um desses raros que talvez por nunca ter sido ligado ao futebol pouco foi lembrado, mas nos meios esportivos foi excelente e também em outras funções, me refiro ao senhor Genserico Câmara Castro que era popularmente conhecido como senhor Nézio.

Senhor Nézio era professor de contabilidade e eu fui seu aluno no Colégio Miracemense quando cursei o Técnico, Senhor Nézio era diferente, enquanto muitos professores eram rígidos e exigentes, ele era alegre, aplicava as aulas com brincadeiras e divertimentos e em dias de provas ao invés de fiscalizar os alunos como faziam os outros professores ele distribuía as provas, saía da sala e dizia:

- Cada um tem a sua consciência, se houver cola os grandes prejudicados serão vocês e não eu.

No esporte senhor Nézio fez história nas competições de quadras quando formou grandes times de basquete, tanto masculino como feminino culminando com o fantástico time feminino onde despontavam atletas de primeira qualidade como Pingo, Marilú, Sônia, Eleonora Salim, entre outras que eram temidas em todo o estado e respeitadas até pelos grandes da capital como Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo.

Senhor Nézio também brilhou no futebol comandando o fortíssimo Tupãn Esporte Clube, nos anos 60, quando juntamente com Jamil Cardoso armaram um forte esquadrão que tinha Manelzinho, Dario, Ciro, Chocalho, Creto, Bilú, entre outros.

Senhor Nézio faleceu no dia 17 de dezembro de 1979 e até hoje, em Miracema e em toda região não apareceu um ser com grande talento que intitulou o senhor Nézio como o homem dos sete instrumentos.

 

Craques que deixaram saudades

(Lula, a muralha negra)


Em nossa coluna de vez em quando homenageamos nossos craques falecidos.

Hoje eu falo de Lula, um dos maiores zagueiros do nosso futebol, que devido a sua garra e amor pela camisa do Miracema era chamado de muralha negra.

Alguns leitores me perguntam porque escrevo sobre os craques falecidos e não pelos vivos, minha respostas é simples...

Os nossos jogadores vivos estão sempre presentes juntos de nós e os falecidos são sempre esquecidos pois a memória do brasileiro é curta e muita personalidade do nosso país, são esquecidos após a missa de 7º dia.

Lula, cujo o nome verdadeiro era José Carlos Pimenta, fazia parte de uma família de craques, seus irmãos Paulo Pimenta foi um grande zagueiro e outro irmão Bizuca foi um grande goleiro da nossa região, jogou no Rink, jogou no Miracema, Paduano, foi técnico da Associação Atlética Miracema e presidente da Liga Desportiva de São Roque-SP onde faleceu.

Mais voltando a falar de Lula relembro dele na zaga e as vezes na lateral do Miracema onde se tornou o maior obstáculo para os atacantes locais e da região.

Lembro-me de um jogo pelo Torneio Murilo Portugal em 1980 quando o Miracema foi o campeão vencendo o Macuco no campo do adversário, neste jogo um veloz atacante do friburguense que atuava pelo Macuco chamou seu treinador a beira do campo e disse:- me tira desta posição pois aqui pela direita eu não consigo nada com esse crioulo.

E no mesmo torneio em um jogo no municipal contra o Laje Esporte Clube Lula não pode atuar por contusão e Farelinho um ágil e veloz ponteiro de Laje comentou antes do jogo, graças a Deus hoje eu estou sossegado.

Este era o Lula, considerado duro e viril mas de uma simpatia extrema vivia sempre sorrindo e era amigo de todos mas dentro de campo era o maior problema para os atacantes, que diga nosso amigo Adilson Dutra, que muitas vezes saiu com as canelas arranhadas ao enfrentar esse grande zagueiro.

Lula faleceu no dia 22-08-de 2015 e nós não poderíamos deixar o mês de agosto acabar sem relembrar as histórias desse grande personagem do futebol miracemense.

 

Esporte sem emoção nos causou grande consternação

Com as atenções voltadas para Copa do Mundo passou quase que despercebida a morte de uma grande atleta do esporte brasileiro, Maria Ester Bueno. Esterzinha como era carinhosamente chamada por familiares e amigos faleceu no dia 08 de julho, aos 78 anos devido ao um câncer na boca que o atormentava há vários anos.

Maria Ester Bueno se destacou mundialmente nas décadas de 50 e 60 em um esporte muito pouco divulgado no Brasil naquela época. O tênis é um esporte chato, sem a emoção de outras competições como vôlei, basquete e principalmente o futebol.

Este esporte oferece poucas emoções e talvez por isso Maria Ester Bueno não era tão badalada como os  outros atletas embora possuísse um talento inquestionável, ela nos encheu de orgulho quando aos 14 anos ganhou o torneio de Winblebon um dos mais importantes do mundo.

Daí em diante Esterzinha embalou uma série de conquistas com 71 troféus em competições em vários países e já um pouco debilitada encerrou sua carreira no ano de 1977. Ela foi considerada por muito tempo a número 1 das quadras na categoria feminina principalmente nas temporadas 1959, 1960, 1964 e 1966, fazendo parte do rol da fama na galeria do tênis em Londres onde esse esporte é o mais divulgado no mundo inteiro.

Maria Ester Bueno se foi sem muita repercussão talvez ofuscada pela Copa do Mundo e por isso seu passamento foi pouco divulgado, mas nós que somos patriotas não podemos de deixar de exaltar a fama dessa grande atleta brasileira que nos deixou grandes saudades e dificilmente terá uma substituta a altura.

 

A origem dos gandulas

Consultando meus arquivos que me dão subsídios para falar das curiosidades do nosso futebol, deparei-me com a trajetória de um craque argentino que foi um grande injustiçado no nosso futebol.

Trata-se do jogador gandula que nos anos 40 chegou ao Flamengo com o status de grande craque, mas amargou na sua carreira com a camisa rubro-negra.

Na edição da semana passada do nosso jornal eu falei sobre a importância dos técnicos argentinos, uruguaios e paraguaios no desenvolvimento do nosso futebol.

Esses treinadores contribuíram muito para o progresso do nosso esporte do desenvolvendo na parte tática e técnica de nossos times, pois naquela época nós não tínhamos treinadores experientes embora tivéssemos grandes jogadores.

Depois desses técnicos começaram a surgir no nosso futebol os craques sulamericanos como por exemplo, Garcia e Benitez no Flamengo, Sílvio Parode no Vasco e Fluminense e Botafogo e até o Bangu e o América também contrataram alguns estrangeiros.

Mas a paixão e a impaciência de nossos torcedores já existia como existe hoje e muitos estrangeiros foram queimados e terminaram suas carreiras devido as injustiças da galera.

O caso mais emblemático aconteceu com o gandula um argentino revelado pelo Huracan e trazido para o Flamengo pelo empresário Alfredo Gonzalez.

Gandula era um excelente jogador, mas custou muito a se adaptar no futebol brasileiro, e a torcida rubro-negra impaciente o vaiava constantemente e acabou com a sua carreira.

Como naquela época o futebol ainda estava iniciando no país só havia uma bola em jogo e para agilizar a reposição da pelota as federações colocaram garotos atrás dos gols e nas laterais para pegar a bola e não atrasar o jogo.

Mas a torcida rubro-negra para pegar no pé do craque argentino apelidaram esses garotos de gandulas dizendo que o jogador argentino só servia para apanhar as bolas atrás dos gols.

Daí em diante esses meninos passaram para sempre a serem chamados de gandulas e o pobre jogador argentino magoado retornou ao seu país e encerrou a sua carreira.

Gandula faleceu no dia 13 de junho de 1999, levando para o túmulo a marca dessa grande injustiça!



 

Craques que deixaram saudades

(Maneca e o drible do amor)

Algumas vezes eu escrevi aqui no nosso espaço história da vida de grandes craques que ficaram para sempre na memória dos torcedores, esses casos sempre são bem recebidos pelos nossos leitores.

Dias atrás, um amigo e leitor do nosso jornal me cobrava mais sobre esses relatos e eu dizia para ele, que esses casos não fáceis de relatar porque muitos craques não tem histórias e precisamos de muitos detalhes para desenvolver a matéria.

Mas atendendo meu amigo e leitor eu busquei em meus arquivos que são escassos e encontrei a vida de Maneca um grande craque da década de 50 que brilhou no grande expresso da vitória o timaço que o Vasco formou nos anos 50.

Maneca surgiu no futebol baiano no ano de 1940, jogando pelo Galícia fez um brilhante campeonato e em 1943 transferiu-se para o Bahia onde foi grande destaque e artilheiro naquela temporada, em 1945 foi para o Vasco da Gama que começava armar o grande time daquela década, no futebol carioca repetiu o sucesso e foi titular absoluto no ataque da seleção brasileira na Copa de 50 realizada no Brasil.

Naquela seleção Maneca se sentia a vontade, pois tinha ao seu lado mais seis craques do Vasco da Gama que foram titulares naquela copa, entre eles Danilo, Ademir, Jair da Rosa Pinto, Chico, entre outros.

Mas apesar de grande craque Maneca não conseguiu driblar o seu maior adversário, o cupido. Apaixonado perdidamente por uma jovem de nome Penha Ferreira que exercia profissão de aeromoça Maneca vivia uma relação de amor e ódio com a jovem, com brigas, separações, reconciliações e uma vida totalmente atribulada.

Devido esses desencontros amorosos sua carreira começou a ser prejudicada, constantemente ele faltava aos treinos e se entregava a bebida, no ano de 1956 o Vasco vendeu seu passe para o Bangu e no ano seguinte o Bangu o repassou para seu ex-clube Galícia da Bahia.

Na capital baiana e longe de sua amada Maneca ficou pouco tempo, voltou para o Rio de Janeiro, já em decadência e no dia 28/06/1961, totalmente deprimido após novo rompimento com sua amada suicidou-se, ingerindo Cianereto de Mercúrio misturado com Guaraná.

Manoel Marinho Alves o grande Maneca, que driblava com muita facilidade todos os seus adversários, levou o drible fatal do cupido e deixou para os seus fãs uma triste história e muitas saudades!


 

Uma ferida difícil de cicatrizar

O povo brasileiro carregou durante 64 anos a mágoa e a decepção de perder dentro de casa uma Copa do Mundo.

O dia 16 de julho de 1950 foi fatídico para nossa nação que assistiu atônica em pleno Maracanã a queda da nossa seleção perdendo de 2 a 1 para o Uruguai.

Jamais poderíamos imaginar que 64 anos depois as coisas se repetiriam e ainda pior. Naquela época, tínhamos um grande time, chegamos a final e o que aconteceu foi uma fatalidade do futebol.

E agora? Desde do início sabíamos que nossas chances eram remotas alertamos sobre isso aqui na nossa coluna, naquele tempo não tínhamos a estrutura que temos hoje, não tínhamos dinheiro a rodão como agora,  não tínhamos grandes patrocinadores como agora e chegamos a final.

Este ano, fizemos um grande fiasco não chegamos nem ao Maracanã que foi reconstruído gastando-se bilhões e deixando os gringos fazerem a festa. Foi triste ver nossos torcedores humilhados, arrasados depois do 7 a 1 para a Alemanha e os 3 a 0 para Holanda.

Foi triste ver os nossos torcedores torcendo na final pelos alemães que nos humilharam em campo não por culpa deles, que até foram simpáticos e que deixou para o nosso país centro de treinamentos modernos, escolas, tudo custeado pela federação alemã que deu uma aula de administração e de cultura para os cartolas brasileiros.

Nossa torcida abraçou a Alemanha por tudo isso e pela grande rivalidade contra a Argentina que tem uma torcida apaixonada mas são prepotentes, criadores de problemas, indisciplinados semelhantes as torcidas do Flamengo e Corinthians.

Nosso povo está machucado, ao invés de curarmos a ferida do passado, abrimos uma mais dolorida, é como se tivéssemos sofrido um acidente e em fase de recuperação acontecesse um novo desastre.

Essa ferida vai custar cicatrizar e o remédio tão cedo não será encontrado.

 

Uma tragédia anunciada

A torcida brasileira está machucada e decepcionada com a goleada de 7 a 1 para Alemanha. Nossa seleção repete em 2014 o fiasco de 50.

Sinceramente, eu acho que esse foi pior do que 1950. Naquela época tínhamos um grande time, menosprezamos o adversário e pagamos caro por isso.

Esse ano, sabíamos com antecedência que dificilmente ganharíamos a copa, a não ser para os fanáticos e para maior parte de nossa imprensa que teima em não enxergar a realidade e vive vendendo ilusões para o povo.

Na semifinal a derrota para Alemanha para mim não foi nenhuma surpresa, surpresa foi o placar, que só acontece esporadicamente ou em jogos de pelada entre casados e solteiros em fim de ano.

O fracasso da nossa seleção era previsível, devido à bagunça e o protencionalismo que impera em nosso futebol.

Na edição do nosso jornal no dia 10 de janeiro eu escrevi na nossa coluna o artigo intitulado: 'Um ano de fortes emoções'.

Você leitor, que tem boa memória ou costuma colecionar o nosso jornal, procura e vai ver o que eu disse naquela edição.

Naquela oportunidade, após a euforia de muitos brasileiros eu alertava que uma seleção com técnico ultrapassado como Felipão, que tinha um goleiro como Júlio Cesar, Daniel Alves, Maicon, Dantes, Luís Gustavo e principalmente o cabeção-de-bagre Huck, não poderíamos sonhar com uma Copa do Mundo, não estou falando isso agora e disse há seis meses, ao contrário de muita gente na imprensa que só agora se convenceram sobre isso.

Eu tenho um amigo, que me segue aqui no jornal e no meu programa na Princesinha do Norte, ele me apelidou de mãe Diná, pois disse que as minhas previsões sempre se confirmam.

Não sou adivinho, não acredito em astrologia nem previsões, pois só Deus tem o poder de prever o futuro, mas ser vidente no Brasil, é muito fácil principalmente em termo de futebol e política.

Nossos dirigentes, não se importam com nosso futebol, nossa confederação, nossas federações, e nossas ligas viraram paraíso de cartolas e empresários que ficam milionários enquanto os clubes estão com os pires nas mãos.

Nossos campeonatos são mal elaborados com os tribunais punindo inocentes e absolvendo culpados, de acordo com seus interesses.

Tudo isso reflete no campo, e o futebol que um esporte imprevisível passou a ser previsível no quesito bagunça e desorganização.

 

O dinheiro está estragando o futebol

A imprensa brasileira é pródiga em motivar e dar uma dimensão exagerada em todos os eventos principalmente ao futebol.

Nossa imprensa está entusiasmada com a nossa copa, para eles, está é a melhor copa de todas na parte técnica, na organização, em tudo enfim...

Não quero ser chato e nem do contra, mas não consigo enxergar o mesmo. No setor de organização, temos lindos estádios, mas quase todos inacabados, já tivemos invasões de torcedores nos gramados, a galera reclama de que falta bom atendimento nos bares dos estádios, que cobram os olhos da cara, e na parte técnica eu vejo poucos talentos.

Na nossa seleção, eu livro a cara de Neymar, na modesta Colômbia surgiu James Rodrigues, um craque de grande futuro, fina técnica e outras qualidades, honramos o sobrenome Rodrigues.

Brincadeiras a parte, fora esses, quem são os grandes destaques? Na Argentina, Messi e Di Maria, Na Holanda, Roben e Vanpersen, Na Alemanha, Ozil e Kandira e Benzemar, na França, mas estes não são revelações pois já são craques rodados.

Quando conquistamos a copa de 58, além de um punhado de craques o Brasil lançou Pelé com 17 anos e ele foi o melhor do mundo.

Ainda nesta copa apareceu Simessem, na Suécia, kopapiantony, da França, além de Fontaine, o maior artilheiro de todas as copas até hoje, além de Ichaen, o goleiro da Rússia, chamado de Aranha Negra, o maior de todos os tempos!

Até 1970 e início de 80, surgiram grandes craques no Brasil e no Mundo, aí entrou a mídia no futebol, os talentos começaram a desaparecer pois os grandes craques são usados como garotos de propaganda, modelos, e alguns se transformam em atores de TV e cinema, isto prejudica os treinamentos, a parte física e técnica.

O dinheiro é o objeto de desejo todos, é necessário para nossa sobrevivência, mas quando há exagero ele acaba trazendo malefício e isto está provado principalmente dentro do futebol.

 

 

Vasco negou a craque uma vingança contra o Flamengo

Rubéns Josué da Costa, que na época de jogador era conhecido como Dr. Rubens, sempre foi um ardoroso flamenguista, mas apesar da paixão que nutria pelo clube rubro-negro, ele queria vingar do Flamengo e o Vasco não deixou. A história é curiosa e complicada, mas vamos a ela.

Rubens era um crioulo espigado que tinha um incrível domínio de bola, dribles fáceis e uma rara habilidade, apareceu no juvenil do Flamengo por volta de 1948 e em 1950, já era titular e foi convocado para seleção brasileira ao lado de craques consagrados como Zizinho, Ademir, Danilo, etc.

No Flamengo a torcida e a imprensa o chamavam de Dr. Rubens pelo seu futebol fino e requintado. No Mengo decidiu jogos importantes e foi tri-campeão em 53/54 e 55, quando o Flamengo tinha um timaço que contava com craques extraordinários como Dequinha, Benitez, Jordan, Joel e outros.

Em fins de 57, Fleitas Solich um grande técnico paraguaio que dirigiu o Flamengo por muito tempo, brigou com Rubens e obrigou a diretoria a dispensar o seu "crioulo" segundo Solich, Rubens estava bebendo e fumando muito e isto não era bom para o Flamengo.

Rubens ficou revoltado porque segundo ele isto era calúnia do treinador que queria vê-lo fora do Flamengo, a torcida não queria a saída do seu ídolo e protestou veemente mas prevaleceu a vontade do técnico e o Flamengo vendeu Rubens para o Vasco da Gama.

Em 58 o Vasco armou um grande time que tinha Belini, Orlando, Almir, Vavá, Pinga e outros e neste timaço Rubens era uma grande estrela.

O Vasco foi o campeão numa brilhante campanha e na final enfrentou o Flamengo duas vezes vencendo por 2 a 0 e empatando em 1 a 1.

Aí veio a frustração de Rubens. Segundo ele a sua maior mágoa do futebol. Sabedor que Rubens nutria uma grande paixão pelo Flamengo o técnico do Vasco, Gradim, o afastou dos jogos finais optando por escalar Valdemar que era reserva.

Na opinião de Gradim, Rubens poderia sofrer uma queda psicológica e com isto manchar sua imagem e prejudicar o Vasco.

E Rubens foi sacado do time, o Vasco foi o campeão mas Rubens queria estar presente e jogar o dobro do seu futebol para vingar do Flamengo e do treinador Solich. Mas o Vasco não deixou.

 

Juiz expulsa os 22 jogadores e acaba com o jogo

É muito difícil nos dias de hoje ver muitos jogadores expulsos mesmo quando há um grande fuzuê.

Os árbitros sempre procuram manerar e escolhem dois ou três para bodes expiatórios e deixa o barco correr.

Atualmente os juízes temem as grandes estrelas, o poderio dos cartolas e até as próprias entidades, que orientam os árbitros para que não prejudique os espetáculos com muitas expulsões.

Por este motivo o fato que hoje vamos relatar e um fato se não for inédito, pelo ao menos é um fato raro.

No dia 20-06-54 jogavam no Pacaembu, Botafogo X Portuguesa de Desportos.

A partida era válida pelo Torneio Rio-São Paulo. O árbitro era o Srº Carlos de Oliveira Monteiro (Tijolo).

Aos 16 minutos Osvaldinho abriu a contagem para a Portuguesa, um minuto depois Dino da Costa empatou.

No 2º tempo Edmur aos 27 minutos e o próprio Edmur fêz 3X1 aos 31 minutos para a Portuguesa.

Aos 33 minutos Thomé ia cobrar um tiro de meta, Ortega ponteiro esquerdo da Portuguesa tentou impedir para catimbar  e ganhar tempo. Thomé, que era um jogador explosivo agrediu o jogador da Portuguesa. Resultado: os 22 jogadores se debateram a socos e pontapés, não havia policiamento em campo, providenciaram o reforço, até que a Polícia chegou. O árbitro cruzou os braços deixou os 22 jogadores brigarem a vontade e a Polícia acalmou os ânimos e o juiz expulsou os 22 jogadores.

Neste jogo que prevaleceu a vitória da Portuguesa os dois times alinharam assim:

Portuguesa-Lindolfo, Nena, Valter, Hermínio, Clóvis, Ceci, Dito, Renato, Nelsinho, Edmur e Ortega.

Botafogo-Osvaldo Baliza, Thomé, Floriano, Juvenal, Ruarininho, Bob, Dino da Costa, Jaime, Garrincha, Carlaie e Vinícius.

 

O bicho no futebol

No programa que eu apresento na Rádio Princesinha do Norte, intitulado "Show RPN", às vezes conto certas curiosidades do nosso futebol, isso não é sempre pois às vezes falta tempo e tempo é coisa valiosa no rádio.

Nosso programa que graças a Deus tem uma grande audiência e por isso está há mais de 20 anos no ar é feito de variedades, tem músicas, notícias, esportes e curiosidades, tem de tudo para todos e eu até criei o slogan: "Da vovó a netinha, todos curtem o show RPN na Princesinha".

Mas é claro não agradamos a todos, tem desportistas que me cobra maior espaço para o esporte e menos músicas, os jovens principalmente, as moças querem mais músicas e odeiam esporte e notícias...

E assim eu agrado a todos mas também sou muito cobrado.

Eu tenho uma ouvinte assídua de muitos anos que me disse que quando falo de futebol ela desligava o rádio, calculava o tempo e religava na parte final, onde eu apresento o quadro "do locutor para o ouvinte" e mando músicas para eles, mas segundo ela, às vezes eu esqueço de ligar novamente e perdia seu quadro favorito.

Por isso mesmo a contra gosto ela passou a ouvir o esporte. Diz ela que não entende patavina de futebol e ficou curiosa ao ver em mencionar bicho para jogadores e me pediu explicação sobre isso, expliquei calmamente para ela pois o ouvinte merece toda atenção e resolvi escrever sobre este tema pois tem muita gente que até gosta de futebol mas não sabe  a origem deste tema.

O bicho para os jogadores representa uma gratificação por vitórias e conquista de títulos e surgiu na Bahia na década de 30 quando o futebol era amador e bem atrasado no nosso país.

Conta a história que um rico fazendeiro que possuía muitas terras e plantação de cacau, a grande riqueza da época, era apaixonado pelo Bahia, e aí, foi convidado para ser diretor do clube numa cartada inteligente dos dirigentes baianos, que queriam aproveitar sua riqueza e o seu fanatismo!

Esse cartola  reunia os jogadores, na época todos amadores e oferecia por vitórias bois, cavalos, cabritos e até patos e galinhas para ver o Bahia vencedor, foi a 1ª versão do bicho no futebol.

Mais tarde já na era profissional, Castor de Andrade um forte homem do jogo do bicho assumiu o Bangu na década de 60 e 70 e com seu poder financeiro formou sua grande time que foi campeão carioca de 66, humilhando o Flamengo na final vencendo por 3 a 0 e fazendo o Flamengo correr de campo antes da final para não levar uma goleada histórica.

Nesse time jogou Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Ocimar, Roberto Pinto,  Paulo Borges, Parada, Bianchini, Aladim entre outros.

Castor  antes do jogo falava aos jogadores:

- A vitória hoje vale um cachorro, como a dezena do cachorro é 20, representava 20 cruzeiros um bom dinheiro na época, às vezes um coelho que a dezena representa 40, às vezes um jacaré que representa 60 e por aí afora... Se era título de campeão valia uma vaca que representa uma fortuna naquele tempo.

Hoje na era dos dólares, Euro, os jogadores ganham milhões em contratos, luvas, direitos de imagens e etc... Mas essas gratificações continuam intituladas como "bichos".

 

Vasco negou a craque uma vingança contra o Flamengo

Rubéns Josué da Costa, que na época de jogador era conhecido como Dr. Rubens, sempre foi um ardoroso flamenguista, mas apesar da paixão que nutria pelo clube rubro-negro, ele queria vingar do Flamengo e o Vasco não deixou. A história é curiosa e complicada, mas vamos a ela.

Rubens era um crioulo espigado que tinha um incrível domínio de bola, dribles fáceis e uma rara habilidade, apareceu no juvenil do Flamengo por volta de 1948 e em 1950, já era titular e foi convocado para seleção brasileira ao lado de craques consagrados como Zizinho, Ademir, Danilo, etc.

No Flamengo a torcida e a imprensa o chamavam de Dr. Rubens pelo seu futebol fino e requintado. No Mengo decidiu jogos importantes e foi tri-campeão em 53/54 e 55, quando o Flamengo tinha um timaço que contava com craques extraordinários como Dequinha, Benitez, Jordan, Joel e outros.

Em fins de 57, Fleitas Solich um grande técnico paraguaio que dirigiu o Flamengo por muito tempo, brigou com Rubens e obrigou a diretoria a dispensar o seu "crioulo" segundo Solich, Rubens estava bebendo e fumando muito e isto não era bom para o Flamengo.

Rubens ficou revoltado porque segundo ele isto era calúnia do treinador que queria vê-lo fora do Flamengo, a torcida não queria a saída do seu ídolo e protestou veemente mas prevaleceu a vontade do técnico e o Flamengo vendeu Rubens para o Vasco da Gama.

Em 58 o Vasco armou um grande time que tinha Belini, Orlando, Almir, Vavá, Pinga e outros e neste timaço Rubens era uma grande estrela.

O Vasco foi o campeão numa brilhante campanha e na final enfrentou o Flamengo duas vezes vencendo por 2 a 0 e empatando em 1 a 1.

Aí veio a frustração de Rubens. Segundo ele a sua maior mágoa do futebol. Sabedor que Rubens nutria uma grande paixão pelo Flamengo o técnico do Vasco, Gradim, o afastou dos jogos finais optando por escalar Valdemar que era reserva.

Na opinião de Gradim, Rubens poderia sofrer uma queda psicológica e com isto manchar sua imagem e prejudicar o Vasco.

E Rubens foi sacado do time, o Vasco foi o campeão mas Rubens queria estar presente e jogar o dobro do seu futebol para vingar do Flamengo e do treinador Solich. Mas o Vasco não deixou.