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A origem dos gandulas

Consultando meus arquivos que me dão subsídios para falar das curiosidades do nosso futebol, deparei-me com a trajetória de um craque argentino que foi um grande injustiçado no nosso futebol.

Trata-se do jogador gandula que nos anos 40 chegou ao Flamengo com o status de grande craque, mas amargou na sua carreira com a camisa rubro-negra.

Na edição da semana passada do nosso jornal eu falei sobre a importância dos técnicos argentinos, uruguaios e paraguaios no desenvolvimento do nosso futebol.

Esses treinadores contribuíram muito para o progresso do nosso esporte do desenvolvendo na parte tática e técnica de nossos times, pois naquela época nós não tínhamos treinadores experientes embora tivéssemos grandes jogadores.

Depois desses técnicos começaram a surgir no nosso futebol os craques sulamericanos como por exemplo, Garcia e Benitez no Flamengo, Sílvio Parode no Vasco e Fluminense e Botafogo e até o Bangu e o América também contrataram alguns estrangeiros.

Mas a paixão e a impaciência de nossos torcedores já existia como existe hoje e muitos estrangeiros foram queimados e terminaram suas carreiras devido as injustiças da galera.

O caso mais emblemático aconteceu com o gandula um argentino revelado pelo Huracan e trazido para o Flamengo pelo empresário Alfredo Gonzalez.

Gandula era um excelente jogador, mas custou muito a se adaptar no futebol brasileiro, e a torcida rubro-negra impaciente o vaiava constantemente e acabou com a sua carreira.

Como naquela época o futebol ainda estava iniciando no país só havia uma bola em jogo e para agilizar a reposição da pelota as federações colocaram garotos atrás dos gols e nas laterais para pegar a bola e não atrasar o jogo.

Mas a torcida rubro-negra para pegar no pé do craque argentino apelidaram esses garotos de gandulas dizendo que o jogador argentino só servia para apanhar as bolas atrás dos gols.

Daí em diante esses meninos passaram para sempre a serem chamados de gandulas e o pobre jogador argentino magoado retornou ao seu país e encerrou a sua carreira.

Gandula faleceu no dia 13 de junho de 1999, levando para o túmulo a marca dessa grande injustiça!



 

Craques que deixaram saudades

(Maneca e o drible do amor)

Algumas vezes eu escrevi aqui no nosso espaço história da vida de grandes craques que ficaram para sempre na memória dos torcedores, esses casos sempre são bem recebidos pelos nossos leitores.

Dias atrás, um amigo e leitor do nosso jornal me cobrava mais sobre esses relatos e eu dizia para ele, que esses casos não fáceis de relatar porque muitos craques não tem histórias e precisamos de muitos detalhes para desenvolver a matéria.

Mas atendendo meu amigo e leitor eu busquei em meus arquivos que são escassos e encontrei a vida de Maneca um grande craque da década de 50 que brilhou no grande expresso da vitória o timaço que o Vasco formou nos anos 50.

Maneca surgiu no futebol baiano no ano de 1940, jogando pelo Galícia fez um brilhante campeonato e em 1943 transferiu-se para o Bahia onde foi grande destaque e artilheiro naquela temporada, em 1945 foi para o Vasco da Gama que começava armar o grande time daquela década, no futebol carioca repetiu o sucesso e foi titular absoluto no ataque da seleção brasileira na Copa de 50 realizada no Brasil.

Naquela seleção Maneca se sentia a vontade, pois tinha ao seu lado mais seis craques do Vasco da Gama que foram titulares naquela copa, entre eles Danilo, Ademir, Jair da Rosa Pinto, Chico, entre outros.

Mas apesar de grande craque Maneca não conseguiu driblar o seu maior adversário, o cupido. Apaixonado perdidamente por uma jovem de nome Penha Ferreira que exercia profissão de aeromoça Maneca vivia uma relação de amor e ódio com a jovem, com brigas, separações, reconciliações e uma vida totalmente atribulada.

Devido esses desencontros amorosos sua carreira começou a ser prejudicada, constantemente ele faltava aos treinos e se entregava a bebida, no ano de 1956 o Vasco vendeu seu passe para o Bangu e no ano seguinte o Bangu o repassou para seu ex-clube Galícia da Bahia.

Na capital baiana e longe de sua amada Maneca ficou pouco tempo, voltou para o Rio de Janeiro, já em decadência e no dia 28/06/1961, totalmente deprimido após novo rompimento com sua amada suicidou-se, ingerindo Cianereto de Mercúrio misturado com Guaraná.

Manoel Marinho Alves o grande Maneca, que driblava com muita facilidade todos os seus adversários, levou o drible fatal do cupido e deixou para os seus fãs uma triste história e muitas saudades!


 

Uma ferida difícil de cicatrizar

O povo brasileiro carregou durante 64 anos a mágoa e a decepção de perder dentro de casa uma Copa do Mundo.

O dia 16 de julho de 1950 foi fatídico para nossa nação que assistiu atônica em pleno Maracanã a queda da nossa seleção perdendo de 2 a 1 para o Uruguai.

Jamais poderíamos imaginar que 64 anos depois as coisas se repetiriam e ainda pior. Naquela época, tínhamos um grande time, chegamos a final e o que aconteceu foi uma fatalidade do futebol.

E agora? Desde do início sabíamos que nossas chances eram remotas alertamos sobre isso aqui na nossa coluna, naquele tempo não tínhamos a estrutura que temos hoje, não tínhamos dinheiro a rodão como agora,  não tínhamos grandes patrocinadores como agora e chegamos a final.

Este ano, fizemos um grande fiasco não chegamos nem ao Maracanã que foi reconstruído gastando-se bilhões e deixando os gringos fazerem a festa. Foi triste ver nossos torcedores humilhados, arrasados depois do 7 a 1 para a Alemanha e os 3 a 0 para Holanda.

Foi triste ver os nossos torcedores torcendo na final pelos alemães que nos humilharam em campo não por culpa deles, que até foram simpáticos e que deixou para o nosso país centro de treinamentos modernos, escolas, tudo custeado pela federação alemã que deu uma aula de administração e de cultura para os cartolas brasileiros.

Nossa torcida abraçou a Alemanha por tudo isso e pela grande rivalidade contra a Argentina que tem uma torcida apaixonada mas são prepotentes, criadores de problemas, indisciplinados semelhantes as torcidas do Flamengo e Corinthians.

Nosso povo está machucado, ao invés de curarmos a ferida do passado, abrimos uma mais dolorida, é como se tivéssemos sofrido um acidente e em fase de recuperação acontecesse um novo desastre.

Essa ferida vai custar cicatrizar e o remédio tão cedo não será encontrado.

 

Uma tragédia anunciada

A torcida brasileira está machucada e decepcionada com a goleada de 7 a 1 para Alemanha. Nossa seleção repete em 2014 o fiasco de 50.

Sinceramente, eu acho que esse foi pior do que 1950. Naquela época tínhamos um grande time, menosprezamos o adversário e pagamos caro por isso.

Esse ano, sabíamos com antecedência que dificilmente ganharíamos a copa, a não ser para os fanáticos e para maior parte de nossa imprensa que teima em não enxergar a realidade e vive vendendo ilusões para o povo.

Na semifinal a derrota para Alemanha para mim não foi nenhuma surpresa, surpresa foi o placar, que só acontece esporadicamente ou em jogos de pelada entre casados e solteiros em fim de ano.

O fracasso da nossa seleção era previsível, devido à bagunça e o protencionalismo que impera em nosso futebol.

Na edição do nosso jornal no dia 10 de janeiro eu escrevi na nossa coluna o artigo intitulado: 'Um ano de fortes emoções'.

Você leitor, que tem boa memória ou costuma colecionar o nosso jornal, procura e vai ver o que eu disse naquela edição.

Naquela oportunidade, após a euforia de muitos brasileiros eu alertava que uma seleção com técnico ultrapassado como Felipão, que tinha um goleiro como Júlio Cesar, Daniel Alves, Maicon, Dantes, Luís Gustavo e principalmente o cabeção-de-bagre Huck, não poderíamos sonhar com uma Copa do Mundo, não estou falando isso agora e disse há seis meses, ao contrário de muita gente na imprensa que só agora se convenceram sobre isso.

Eu tenho um amigo, que me segue aqui no jornal e no meu programa na Princesinha do Norte, ele me apelidou de mãe Diná, pois disse que as minhas previsões sempre se confirmam.

Não sou adivinho, não acredito em astrologia nem previsões, pois só Deus tem o poder de prever o futuro, mas ser vidente no Brasil, é muito fácil principalmente em termo de futebol e política.

Nossos dirigentes, não se importam com nosso futebol, nossa confederação, nossas federações, e nossas ligas viraram paraíso de cartolas e empresários que ficam milionários enquanto os clubes estão com os pires nas mãos.

Nossos campeonatos são mal elaborados com os tribunais punindo inocentes e absolvendo culpados, de acordo com seus interesses.

Tudo isso reflete no campo, e o futebol que um esporte imprevisível passou a ser previsível no quesito bagunça e desorganização.

 

O dinheiro está estragando o futebol

A imprensa brasileira é pródiga em motivar e dar uma dimensão exagerada em todos os eventos principalmente ao futebol.

Nossa imprensa está entusiasmada com a nossa copa, para eles, está é a melhor copa de todas na parte técnica, na organização, em tudo enfim...

Não quero ser chato e nem do contra, mas não consigo enxergar o mesmo. No setor de organização, temos lindos estádios, mas quase todos inacabados, já tivemos invasões de torcedores nos gramados, a galera reclama de que falta bom atendimento nos bares dos estádios, que cobram os olhos da cara, e na parte técnica eu vejo poucos talentos.

Na nossa seleção, eu livro a cara de Neymar, na modesta Colômbia surgiu James Rodrigues, um craque de grande futuro, fina técnica e outras qualidades, honramos o sobrenome Rodrigues.

Brincadeiras a parte, fora esses, quem são os grandes destaques? Na Argentina, Messi e Di Maria, Na Holanda, Roben e Vanpersen, Na Alemanha, Ozil e Kandira e Benzemar, na França, mas estes não são revelações pois já são craques rodados.

Quando conquistamos a copa de 58, além de um punhado de craques o Brasil lançou Pelé com 17 anos e ele foi o melhor do mundo.

Ainda nesta copa apareceu Simessem, na Suécia, kopapiantony, da França, além de Fontaine, o maior artilheiro de todas as copas até hoje, além de Ichaen, o goleiro da Rússia, chamado de Aranha Negra, o maior de todos os tempos!

Até 1970 e início de 80, surgiram grandes craques no Brasil e no Mundo, aí entrou a mídia no futebol, os talentos começaram a desaparecer pois os grandes craques são usados como garotos de propaganda, modelos, e alguns se transformam em atores de TV e cinema, isto prejudica os treinamentos, a parte física e técnica.

O dinheiro é o objeto de desejo todos, é necessário para nossa sobrevivência, mas quando há exagero ele acaba trazendo malefício e isto está provado principalmente dentro do futebol.

 

 

Vasco negou a craque uma vingança contra o Flamengo

Rubéns Josué da Costa, que na época de jogador era conhecido como Dr. Rubens, sempre foi um ardoroso flamenguista, mas apesar da paixão que nutria pelo clube rubro-negro, ele queria vingar do Flamengo e o Vasco não deixou. A história é curiosa e complicada, mas vamos a ela.

Rubens era um crioulo espigado que tinha um incrível domínio de bola, dribles fáceis e uma rara habilidade, apareceu no juvenil do Flamengo por volta de 1948 e em 1950, já era titular e foi convocado para seleção brasileira ao lado de craques consagrados como Zizinho, Ademir, Danilo, etc.

No Flamengo a torcida e a imprensa o chamavam de Dr. Rubens pelo seu futebol fino e requintado. No Mengo decidiu jogos importantes e foi tri-campeão em 53/54 e 55, quando o Flamengo tinha um timaço que contava com craques extraordinários como Dequinha, Benitez, Jordan, Joel e outros.

Em fins de 57, Fleitas Solich um grande técnico paraguaio que dirigiu o Flamengo por muito tempo, brigou com Rubens e obrigou a diretoria a dispensar o seu "crioulo" segundo Solich, Rubens estava bebendo e fumando muito e isto não era bom para o Flamengo.

Rubens ficou revoltado porque segundo ele isto era calúnia do treinador que queria vê-lo fora do Flamengo, a torcida não queria a saída do seu ídolo e protestou veemente mas prevaleceu a vontade do técnico e o Flamengo vendeu Rubens para o Vasco da Gama.

Em 58 o Vasco armou um grande time que tinha Belini, Orlando, Almir, Vavá, Pinga e outros e neste timaço Rubens era uma grande estrela.

O Vasco foi o campeão numa brilhante campanha e na final enfrentou o Flamengo duas vezes vencendo por 2 a 0 e empatando em 1 a 1.

Aí veio a frustração de Rubens. Segundo ele a sua maior mágoa do futebol. Sabedor que Rubens nutria uma grande paixão pelo Flamengo o técnico do Vasco, Gradim, o afastou dos jogos finais optando por escalar Valdemar que era reserva.

Na opinião de Gradim, Rubens poderia sofrer uma queda psicológica e com isto manchar sua imagem e prejudicar o Vasco.

E Rubens foi sacado do time, o Vasco foi o campeão mas Rubens queria estar presente e jogar o dobro do seu futebol para vingar do Flamengo e do treinador Solich. Mas o Vasco não deixou.

 

Juiz expulsa os 22 jogadores e acaba com o jogo

É muito difícil nos dias de hoje ver muitos jogadores expulsos mesmo quando há um grande fuzuê.

Os árbitros sempre procuram manerar e escolhem dois ou três para bodes expiatórios e deixa o barco correr.

Atualmente os juízes temem as grandes estrelas, o poderio dos cartolas e até as próprias entidades, que orientam os árbitros para que não prejudique os espetáculos com muitas expulsões.

Por este motivo o fato que hoje vamos relatar e um fato se não for inédito, pelo ao menos é um fato raro.

No dia 20-06-54 jogavam no Pacaembu, Botafogo X Portuguesa de Desportos.

A partida era válida pelo Torneio Rio-São Paulo. O árbitro era o Srº Carlos de Oliveira Monteiro (Tijolo).

Aos 16 minutos Osvaldinho abriu a contagem para a Portuguesa, um minuto depois Dino da Costa empatou.

No 2º tempo Edmur aos 27 minutos e o próprio Edmur fêz 3X1 aos 31 minutos para a Portuguesa.

Aos 33 minutos Thomé ia cobrar um tiro de meta, Ortega ponteiro esquerdo da Portuguesa tentou impedir para catimbar  e ganhar tempo. Thomé, que era um jogador explosivo agrediu o jogador da Portuguesa. Resultado: os 22 jogadores se debateram a socos e pontapés, não havia policiamento em campo, providenciaram o reforço, até que a Polícia chegou. O árbitro cruzou os braços deixou os 22 jogadores brigarem a vontade e a Polícia acalmou os ânimos e o juiz expulsou os 22 jogadores.

Neste jogo que prevaleceu a vitória da Portuguesa os dois times alinharam assim:

Portuguesa-Lindolfo, Nena, Valter, Hermínio, Clóvis, Ceci, Dito, Renato, Nelsinho, Edmur e Ortega.

Botafogo-Osvaldo Baliza, Thomé, Floriano, Juvenal, Ruarininho, Bob, Dino da Costa, Jaime, Garrincha, Carlaie e Vinícius.

 

O bicho no futebol

No programa que eu apresento na Rádio Princesinha do Norte, intitulado "Show RPN", às vezes conto certas curiosidades do nosso futebol, isso não é sempre pois às vezes falta tempo e tempo é coisa valiosa no rádio.

Nosso programa que graças a Deus tem uma grande audiência e por isso está há mais de 20 anos no ar é feito de variedades, tem músicas, notícias, esportes e curiosidades, tem de tudo para todos e eu até criei o slogan: "Da vovó a netinha, todos curtem o show RPN na Princesinha".

Mas é claro não agradamos a todos, tem desportistas que me cobra maior espaço para o esporte e menos músicas, os jovens principalmente, as moças querem mais músicas e odeiam esporte e notícias...

E assim eu agrado a todos mas também sou muito cobrado.

Eu tenho uma ouvinte assídua de muitos anos que me disse que quando falo de futebol ela desligava o rádio, calculava o tempo e religava na parte final, onde eu apresento o quadro "do locutor para o ouvinte" e mando músicas para eles, mas segundo ela, às vezes eu esqueço de ligar novamente e perdia seu quadro favorito.

Por isso mesmo a contra gosto ela passou a ouvir o esporte. Diz ela que não entende patavina de futebol e ficou curiosa ao ver em mencionar bicho para jogadores e me pediu explicação sobre isso, expliquei calmamente para ela pois o ouvinte merece toda atenção e resolvi escrever sobre este tema pois tem muita gente que até gosta de futebol mas não sabe  a origem deste tema.

O bicho para os jogadores representa uma gratificação por vitórias e conquista de títulos e surgiu na Bahia na década de 30 quando o futebol era amador e bem atrasado no nosso país.

Conta a história que um rico fazendeiro que possuía muitas terras e plantação de cacau, a grande riqueza da época, era apaixonado pelo Bahia, e aí, foi convidado para ser diretor do clube numa cartada inteligente dos dirigentes baianos, que queriam aproveitar sua riqueza e o seu fanatismo!

Esse cartola  reunia os jogadores, na época todos amadores e oferecia por vitórias bois, cavalos, cabritos e até patos e galinhas para ver o Bahia vencedor, foi a 1ª versão do bicho no futebol.

Mais tarde já na era profissional, Castor de Andrade um forte homem do jogo do bicho assumiu o Bangu na década de 60 e 70 e com seu poder financeiro formou sua grande time que foi campeão carioca de 66, humilhando o Flamengo na final vencendo por 3 a 0 e fazendo o Flamengo correr de campo antes da final para não levar uma goleada histórica.

Nesse time jogou Ubirajara, Fidélis, Mário Tito, Ocimar, Roberto Pinto,  Paulo Borges, Parada, Bianchini, Aladim entre outros.

Castor  antes do jogo falava aos jogadores:

- A vitória hoje vale um cachorro, como a dezena do cachorro é 20, representava 20 cruzeiros um bom dinheiro na época, às vezes um coelho que a dezena representa 40, às vezes um jacaré que representa 60 e por aí afora... Se era título de campeão valia uma vaca que representa uma fortuna naquele tempo.

Hoje na era dos dólares, Euro, os jogadores ganham milhões em contratos, luvas, direitos de imagens e etc... Mas essas gratificações continuam intituladas como "bichos".

 

Vasco negou a craque uma vingança contra o Flamengo

Rubéns Josué da Costa, que na época de jogador era conhecido como Dr. Rubens, sempre foi um ardoroso flamenguista, mas apesar da paixão que nutria pelo clube rubro-negro, ele queria vingar do Flamengo e o Vasco não deixou. A história é curiosa e complicada, mas vamos a ela.

Rubens era um crioulo espigado que tinha um incrível domínio de bola, dribles fáceis e uma rara habilidade, apareceu no juvenil do Flamengo por volta de 1948 e em 1950, já era titular e foi convocado para seleção brasileira ao lado de craques consagrados como Zizinho, Ademir, Danilo, etc.

No Flamengo a torcida e a imprensa o chamavam de Dr. Rubens pelo seu futebol fino e requintado. No Mengo decidiu jogos importantes e foi tri-campeão em 53/54 e 55, quando o Flamengo tinha um timaço que contava com craques extraordinários como Dequinha, Benitez, Jordan, Joel e outros.

Em fins de 57, Fleitas Solich um grande técnico paraguaio que dirigiu o Flamengo por muito tempo, brigou com Rubens e obrigou a diretoria a dispensar o seu "crioulo" segundo Solich, Rubens estava bebendo e fumando muito e isto não era bom para o Flamengo.

Rubens ficou revoltado porque segundo ele isto era calúnia do treinador que queria vê-lo fora do Flamengo, a torcida não queria a saída do seu ídolo e protestou veemente mas prevaleceu a vontade do técnico e o Flamengo vendeu Rubens para o Vasco da Gama.

Em 58 o Vasco armou um grande time que tinha Belini, Orlando, Almir, Vavá, Pinga e outros e neste timaço Rubens era uma grande estrela.

O Vasco foi o campeão numa brilhante campanha e na final enfrentou o Flamengo duas vezes vencendo por 2 a 0 e empatando em 1 a 1.

Aí veio a frustração de Rubens. Segundo ele a sua maior mágoa do futebol. Sabedor que Rubens nutria uma grande paixão pelo Flamengo o técnico do Vasco, Gradim, o afastou dos jogos finais optando por escalar Valdemar que era reserva.

Na opinião de Gradim, Rubens poderia sofrer uma queda psicológica e com isto manchar sua imagem e prejudicar o Vasco.

E Rubens foi sacado do time, o Vasco foi o campeão mas Rubens queria estar presente e jogar o dobro do seu futebol para vingar do Flamengo e do treinador Solich. Mas o Vasco não deixou.