CONDIÇÃO HUMANA

Durante a caminhada existencial o homem faz uso de seu livre-arbítrio, ou seja, faz uso de sua liberdade de escolha.  Está constantemente escolhendo, mesmo quando pensa não escolher.

Ao experienciar suas vivências esse ser se constitui na relação consigo mesmo e com o outro. Um ser de integração, de presença... atuante, mutante, responsável por sua construção humana e não meramente um ser casual. Com suas potencialidades, possibilidades, o homem transcende, desvela-se sem reservas, descortina o enigma de seu âmago e, por conseguinte, transforma o seu viver.

Ao falar de suas dores, seus sentimentos/emoções o homem abre canais de comunicação que o remetem ao conhecer-se. Transparecendo a si mesmo ele se liberta, uma vez que o autoconhecimento ascende o espírito e surge como um passaporte para o desenvolvimento pessoal, existencial.

 O encontro consigo mesmo acontece quando o homem ouve sua própria fala num processo reflexivo, quando permite sentir-se, quando deixa vir à tona o sentido das situações experienciadas, quando expressa seus sentimentos mais profundos que tendem clarificar o significado da vivência... que é única, singular e intransferível. Tomado pela consciência de si, de sua temporalidade, finitude, necessidades, possibilidades, o homem acontece... deixa aparecer aquilo que era possível ser e reconhece sua condição humana.

O homem em sua condição humana está sempre a mudar. A vida não é estática, movimenta-se a cada amanhecer e o homem faz parte desse processo e precisa deixar-se acontecer.

                                                             Alessandra Lomba Lima

                                                                          Psicóloga

                                                                       CRP 05/42123

 

 

 

A DEPRESSÃO EM IDOSOS.

Estudos comprovam que a expectativa de vida em todo mundo aumentou, algo que também ocorreu em nosso país. Ampliou-se, assim, o número de idosos na população e, ao lado deste aumento, surgiram novas e significativas demandas provenientes desse grupo etário. As grandes demandas desse grupo dizem respeito, em especial, ao processo de envelhecimento. Este, por sua vez, se dá de forma gradativa por meio de alterações físicas, psíquicas e sociais. São comuns nesse processo as reflexões sobre o passado, a perda do sono e de energia, sendo esses, fatores que tendem a abrir canais propícios para a instalação da depressão.

A depressão é uma patologia que altera o humor e o comportamento, e se apresenta com frequência de forma crônica e recorrente na velhice, o que compromete a qualidade de vida do idoso. Por essa razão, dispensa especial atenção.

A DEPRESSÃO no IDOSO está intimamente associada às mudanças nos papéis sociais, ao luto, às perdas, aos sentimentos de inutilidade, aos problemas físicos/orgânicos, às limitações, aos déficits interpessoais, à perda da identidade social e à percepção da limitação do tempo. Pacientes depressivos são acometidos e importunados pela dor psíquica, pela perda do autocontrole, pela diminuição da capacidade de realizar atividades rotineiras, pela percepção de falta de incentivo para viver, tendendo assim ao isolamento. 

Importante atentar aos principais sintomas depressivos: fadiga mesmo sem empenho físico, insatisfação, tristeza profunda, choro fácil, apatia, irritabilidade aumentada, angústia ou ansiedade, insônia ou hipersonia, diminuição da capacidade de atenção e concentração, desesperança. Vale ressaltar que, a depressão clínica não é apenas 'sentir-se triste', o paciente fica de fato incapacitado pela condição, apresenta não somente humor deprimido como também falta de energia física e mental.  A patologia está na intensidade e na duração dos sintomas apresentados.

A questão diagnóstica tem relevância particular quando se trata de pessoas idosas, cujos quadros depressivos apresentam características clínicas peculiares. Quanto mais cedo realizar um diagnóstico sensato e elaborar intervenções apropriadas melhor será o prognóstico.

Enfim, esse é um quadro clínico que merece atenção de profissionais especializados, visando a  melhoria da qualidade de vida individual e social desses que merecem não apenas respeito, mas também espaço, reconhecimento e saúde.

Procure ajuda, sempre que se fizer necessário, de profissionais que atuam na saúde mental, esses irão traçar estratégias de trabalho que terão como objetivo promover a reestruturação emocional e, consequentemente, a reintegração social do indivíduo.

     Drª  Alessandra Lomba Lima

       Psicóloga

       CRP 05/42123