Noroeste Fluminense discute a recuperação da Mata Atlântica


 

                  Rio Rural e SOS Mata Atlântica são parceiros na construção dos Planos Municipais

 

A Superintendência de Biodiversidade e Florestas, da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), promoveu nesta terça-feira (10/7) o lançamento dos Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica no Noroeste Fluminense. O seminário aconteceu em Itaperuna, no distrito de Raposo.

 

Desenvolvido em parceria com a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma-RJ), a Associação Estadual de Municípios do Rio de Janeiro (Aemerj) e o Instituto de Estudos da Religião (Iser), o projeto vai apoiar 15 municípios (13 do Noroeste e dois do Norte) na elaboração dos seus planos municipais.

Para Alba Simão (Superintendente de Biodiversidade e Florestas da SEA), Janete Abraão (Coordenadora de Meio Ambiente da Aemerj) e Pedro Strozenberg (ISER), o apoio do Rio Rural é importante para estabelecer a integração entre as políticas agrícola e ambiental. "A estrutura do Rio Rural é essencial para o nosso trabalho. O mapeamento das microbacias e o diálogo com o produtor rural vão abrir caminho para nossa discussão sobre a importância da recuperação da Mata Atlântica na região", afirmou Janete.

 

Secretário Executivo do Rio Rural, Nelson Teixeira foi um dos palestrantes do seminário. Ele apresentou as ações do programa e afirmou que o Noroeste é a região com maior número de pessoas no campo e que, por isso, o trabalho de conscientização para mudança de comportamento e consolidação da agricultura sustentável é essencial para as políticas de conservação ambiental.

Sobre a construção dos planos, Nelson acredita que o sistema de planejamento utilizado pelo programa e a experiência dos técnicos da Emater-Rio, que já atuam na integração agrícola-ambiental, vão ajudar. Ele declarou que o programa está à disposição para construção dos planos. "Este projeto não vai começar do zero, todo o material de pesquisa construído pelo Rio Rural, através de parcerias, vai servir de base para nortear as cláusulas do documento", afirmou Nelson.

Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, parceira do Rio Rural, disse que a ONG fornecerá as bases cartográficas com o mapeamento completo da região. "Esse atlas foi aperfeiçoado para atender as necessidades do Rio Rural, e tem todas as informações necessárias para a elaboração dos planos. Temos de nos preocupar em construir um documento que contenha um plano exequível", disse Mantovani.

De acordo com o diretor da ONG, o Rio de Janeiro, que já foi campeão em desmatamento, teve resultado positivo no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no período de 2010 e 2011. Ele relacionou essa conquista às ações efetivas adotadas nos últimos anos, como a criação e consolidação de Unidades de Conservação e às ações conjuntas do estado com vários municípios.

Previstos pela Lei da Mata Atlântica (n°11.428/06), os planos municipais servirão para descrever o estado de conservação da Mata Atlântica dos municípios, orientando ações de pesquisa, conservação e recuperação necessárias ao bioma regional. Esta é primeira iniciativa do país a adotar uma estratégia regional de recuperação desse bioma.

Os municípios das regiões norte e noroeste têm alto grau de fragmentação da cobertura vegetal e, ao mesmo tempo, alta biodiversidade (com espécies ameaçadas de extinção), por estarem em uma zona de transição entre tipos diferentes de florestas. A área é apontada pelo Ministério do Meio Ambiente como prioritária para conservação. Os municípios contemplados pelo projeto são Aperibé, Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Miracema, Natividade, Porciúncula, Santo Antônio de Pádua, São José de Ubá e Varre-Sai, no Noroeste, e São Fidelis e Cardoso Moreira, no Norte Fluminense.