Corregedoria da PM faz operação para prender policiais militares


 

POR Marcello Victor

Rio -  A Corregedoria da PM deflagrou nesta quarta-feira uma operação para o cumprimento de nove mandados de prisão contra policiais militares lotados no Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRv). Eles são suspeitos de integrar um esquema de cobrança de propina a motoristas nas estradas do Estado do Rio. Até às 9h, seis pessoas haviam sido presas.

De acordo com o corregedor da corporação, coronel Waldir Soares Filho, os mandados estão sendo cumpridos em cidades do interior do estado, como São José de Ubá e Cachoeira de Macacu. Ainda não há informações sobre presos.

Os policiais presos serão levados para a sede da Corregedoria da PM, em Neves, São Gonçalo, na Região Metropolitana, onde serão submetidos a exame de corpo de delito. Posteriormente, eles serão encaminhados para a Unidade Prisional da PM, em Benfica, na Zona Norte.

 

Policiais cobravam propinas em troca da liberação de veículos. Valores variavam entre R$ 20 e R$ 200 ou até mercadorias como pares de sapato, queijo e goiabada

 Nove policiais militares foram presos nesta quarta-feira durante a operação Mercúrio, desencadeada com o objetivo de prender PMs lotados no Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv). Os militares foram denunciados pelas práticas de concussão (extorsão praticada por agente público) e de corrupção ocorridas no Posto de Controle de Trânsito Rodoviário 16, em Nova Friburgo, localizado no Km 65 da Rodovia RJ-116.

Segundo o coronel Erir Ribeiro Costa Filho, comandante da Polícia Militar, os policias serão vigiados com mais rigor. "Essas prisões também servem como medida educativa, para os policiais saibam que são vigiados 24 horas. Essa operação é apenas o início. Teremos um polícia digna, respeitada e amada", disse o comandante durante entrevista coletiva nesta quarta-feira.

Foram denunciados os Sargentos Nelsim Vieira Serpa, Carlos José Estevam, Jefferson Barcelos Castro, Marcelo Lourenço Brandão, Carlos Eduardo Rocha Aguiar; os Cabos Edenilson Borges da Silva, Sebastian Sardela Antunes e Alex Wermelinger; e o Soldado André Luiz Brayner. Oito deles foram capturados em casa, enquanto um foi preso quando chegava ao batalhão.

De acordo com a denúncia, as irregularidades foram praticadas entre os dias 30 de julho e 28 de agosto. Os policiais cobravam propinas em troca da liberação de veículos, preferencialmente de carga, mediante a garantia da não aplicação de multas ou apreensão de veículos. Os valores cobrados variavam entre R$ 20 e R$ 200. Em algumas ocasiões, também foi verificada a cobrança da propina por meio de mercadorias, entre elas, pares de sapato, queijo e goiabada.

Em diversas situações foi constatada a abordagem dos motoristas e o modo como o dinheiro era entregue em imagens de mídia eletrônica. Apesar das abordagens, não havia registros no Livro de Partes Diárias do Posto ou na Planilha de Abordagens e Notificações.

A operação Mercúrio foi realizada pela Corregedoria Interna da Polícia Militar e Promotorias de Justiça de Auditoria Militar do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

 

Fonte: O DIA ONLINE