Presa acusada de matar o marido


Dezesseis anos após a morte do marido, o engenheiro Jayme Lopes Barreto, a comerciante Carmem Teresa de Sá Guedes Barreto, 47 anos, foi presa, na tarde de ontem, em Cariacica.

Os policiais começaram a investigar Carmem na última semana, quando ela foi intimada a prestar depoimentos sobre um assassinato ocorrido em 2010, nas proximidades de seu bar, em Itaquari.

NA DELEGACIA, Carmem foi presa por causa de um mandado de prisão. Ela é condenada pela morte do marido Simony Giuberti

De acordo com a polícia, um suspeito desse crime havia dito que estava no Bar da Carmem, na hora do assassinato. Diante dos fatos, ela foi intimada a comparecer na delegacia.

Segundo o adjunto da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV) de Cariacica, delegado Eduardo Oliveira Fernandes da Costa a forma como ela falou com a polícia gerou desconfiança, e portanto uma investigação começou a ser feita.

'Quando a polícia foi entregar a intimação na casa dela, foi a filha quem atendeu. Quando ela veio até a delegacia, ela apresentou uma identidade com o nome de Carmen Milena Guedes Abhranmer', disse o delegado.

A polícia checou o nome da filha dela, e outro sobrenome apareceu para Carmem. Foi constatado então, que a comerciante havia sido julgada e condenada a 13 anos de prisão em 1998, pelo assassinato do marido em um canteiro de obras, na Praia da Costa, em Vila Velha, dois anos antes.

A comerciante foi intimada para comparecer novamente à DCCV de Cariacica na tarde de ontem. A polícia não passou detalhes sobre o crime cometido por Carmen. 'Para desviar quaisquer resquícios de dúvida, a encaminhamos para o Departamento de Identificação da Polícia Civil, para que ela fosse submetida ao exame de papiloscópico. Foi aí que confirmamos que ela estava usando identidade falsa', afirmou o delegado Paulo Expedicto Amaral, que responde pela DCCV de Cariacica.

Depois que retornou do Departamento de Identificação, a comerciante tomou conhecimento de que a polícia já a havia identificado. Ela foi autuada em flagrante pelo crime de falsidade material, que prevê de dois a seis anos de reclusão.

Além disso, ela terá que cumprir pelos 13 anos de prisão por mandado expedido pela Justiça em 2005. Carmem foi encaminhada para o Centro de Triagem de Viana.

Comerciante nega identidade

'Até o último momento ela continuou negando ter matado o marido  dela'. A afirmação é do delegado Paulo Expedicto Amaral, responsável pela DCCV de Cariacica. Ele relatou ainda que a comerciante continuava agindo como se fosse outra pessoa, até o momento em que foi encaminhada para a realização do exame papiloscópico, no Departamento de Identificação da Polícia Civil. Segundo investigadores da delegacia,  em determinado momento, após ter sido dado voz de prisão, a comerciante pediu para ir ao banheiro, na delegacia. 'Quando ela pediu para ir ao banheiro, falamos para Carmem que não tinha nada para ela lá. Nesse momento ela respondeu 'matar eu mato 10,mas não me mato'', disse um dos investigadores.

A comerciante se negou a dar entrevista para a imprensa. Quando perguntada o porquê de ter falsificado seus documentos, ela ficou em silêncio. Sobre as acusações de ter matado o próprio marido, também permaneceu em silêncio absoluto, sem esboçar qualquer reação.

A comerciante falou apenas quando indagada por que não queria falar com a imprensa. 'Só quero ficar quieta, já chega de humilhação. Por que tenho que estar no jornal? Existem outros condenados que não estão', disse.

Por Simony Giuberti

FOTO: JUSSARA MARTINS/AT

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