Entre a cruz, a espada e uma comunidade mal acostumada




O prefeito Josias Quintal de Oliveira foi o personagem mais esperado na noite desta segunda-feira, dia 13 de maio, na Casa de Leis Paduana.
A audiência pública para regulamentação do trânsito municipal, a pedido do vereador Bastos, reuniu membros da sociedade civil, Polícia Militar, Associação de Moradores, Associação Comercial, Secretários Municipais e Vereadores.
Durante o evento foram debatidas as responsabilidades de tal regulamentação, sobre a regência do presidente da Câmara, vereador Alexandre Brasil. A sessão teve início sem a presença do atual prefeito. Ele chegou praticamente no final do evento, e, teve a oportunidade de se expressar acerca do tema e, sobre suas responsabilidades na regulamentação do mesmo.

Ao concluir sua fala, o prefeito deixou claro que irá resolver as questões necessárias para que seja implantada a organização do trânsito através da criação da guarda municipal e a legalização junto ao DETRAN, assinando de imediato toda a documentação necessária que torna apto o município a aplicar as penalidades legais aos infratores das leis de trânsito.
O primeiro passo então está dado! E tudo indica que Pádua terá uma organização de caráter absoluto neste sentido.
O segundo e mais notável tema a que me disponho é analisar o tipo, a forma, o tratamento que o atual prefeito está dando aos temas que modificam uma rotina de quase três décadas, vivenciada por toda população paduana.
Josias Mostrou-se impaciente e, ao mesmo tempo, entristecido com as críticas que vem recebendo em relação ao seu governo, mas tampouco, mostrou-se fraco, débil.
Entre a cruz e a espada, o prefeito em exercício precisa encontrar maneiras de satisfazer ou, não enfurecer uma comunidade 'mal acostumada' ao longo dos anos. Ele agora como situação sente a pressão da oposição. Sente os reflexos de ter que servir sem ferir. Um tema certamente de tirar o sono não?
A outra administração pode ter sido omissa nas questões mais melindrosas, deixando o tempo passar, sem dar a resposta necessária, de modo a não edificar ou implantar o que é 'certo'. E tudo indica que os governos anteriores, assim agiram por que sempre demonstraram maior preocupação em servir sem ferir.
Deste processo se perpetuou em Santo Antônio de Pádua uma política eficiente, sem ser desagradável.
Ao assumir Josias Quintal, sente a necessidade de ter que dar resposta a tudo isso.
Ele tem a obrigação de mudar e agradar. E como mudar sem ferir?
Está sangrando! Ele também tem coração. É visível que a alma deste novo líder sangra diante das decisões que precisa tomar caso verdadeiramente queira implantar um novo modo de viver em Santo Antônio de Pádua. Definitivamente, e com a cobrança por mudanças, o atual prefeito de Pádua ocupa uma posição que poucos gostariam de estar.
Após conquistar em sua trajetória de vida os mais importantes cargos a que se dispôs, ou, foi convidado, se vê na atualidade, sem grandes pretensões políticas. Ser prefeito não é menos honroso que suas outras ocupações públicas, mas é fato que não é sua conquista maior. A conquista da Prefeitura de Pádua certamente tem mais peso para a maioria da comunidade que o elegeu e, não mesmo, para o próprio. Poucas pessoas vêem o que ele é, e todos vêem o que ele aparenta ser. E de aparências, criam-se os enganos.
Para mudar definitivamente a vida social, econômica e a forma de comandar Santo Antônio de Pádua terá fatalmente que aplicar os ensinamentos de Maquiavel, tomando o devido cuidado para não levar a nobreza ao desespero e, tampouco, o povo ao descontentamento, agindo assim, fará história.
Seu início de governo apavora porque está gerando um aparente desespero na classe empresarial e, descontentamento a uma parte da comunidade, por tocar em questões que ferem o bolso.
Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio.
A decisão de causar desespero nos homens nunca foi sensata.
Uma máquina administrativa é composta por servidores que precisam fazer toda engrenagem municipal funcionar e, bem.
Há que se considerar que o patrimônio de uma empresa pública está na qualidade de seu pessoal e seu contentamento. É o contentamento que faz com que o serviço público seja executado com zelo, agilidade e amor.
Um povo corrompido que atinge a liberdade tem maior dificuldade em mantê-la.
Ele precisa agora ser forte, ter pulso firme e implantar mudanças a qualquer custo senão vai encontrar a barreira do egoísmo individual, em detrimento do bem coletivo, o que fatalmente o levará ao fracasso.
Quem se torna senhor de uma cidade habituada a viver em 'liberdade' e não a 'destroe', espera para ser destruído por ela. O povo é mais bem conduzido e interpretado por seu dirigente quando faz o mal de uma vez e o bem aos poucos.
Neste início de mandato o bem não está ocupando lugar de destaque, e o mal, está mau feito.
Entre a cruz e a espada, está o exercício da democracia. E a democracia moderna passa pelos interesses individuais e coletivos, de forma a ter que se dar o amplo direito de defesa e fala, a todos, numa sociedade dominada por leis que beneficiam, muita das vezes, aos próprios criadores, transformando, o errado em certo.
Com sua eleição, o povo deixou de ter os antigos líderes e seus benefícios, seus perdões. Agora grande parte da comunidade espera ação e atitude.
E quem é o nosso novo porto seguro? É o senhor, seu Josias Quintal. Está em suas mãos fazer acontecer mudanças. E há que se fazer ou tentar, independente dos reflexos desta ação.
Para os temas mais polêmicos, a consulta popular, as audiências públicas são o indicado, uma demonstração de sensatez. Por sorte ou azar, o sistema é democrático e o mesmo exige respeito às regras.
Na dose certa venenos curam ou matam. O que falta é a dose e, a escolha certa do momento para se colocar diante de uma guerra, assim, se torna o ato legitimo e, permitido. Se fosses tu o prefeito de qualquer outro município certamente não teria tantas dificuldades, mas há em nossa cidade uma 'comunidade mal acostumada'. Ou se muda tudo, entenda-se gradualmente, ou fica tudo como está. Cada um engole sua vaidade e, se aceita o continuísmo.
Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal. Leve em conta que uma guerra é justa quando é necessária. Se achas justo agir, o faça, mas escolha principalmente o melhor momento. O ataque certeiro evita que o atacado agonize e, ou mesmo, possa suspirar, antes de sua liquidação, palavras que se voltem ao guerreador.

Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, faça de uma vez só.
É preciso agradar aos súditos, manter os amigos e proteger-se dos companheiros. Entre seus inimigos Josias Quintal, estão companheiros. Considere teus inimigos todos os insatisfeitos por estares no poder, mesmo aqueles companheiros mais próximos, que te ajudaram a ali chegar, pois não terás como atender a todos os desejos desses, como os mesmos gostariam. Na ilusão, o povo se rebela contra o seu líder. Não é preciso cumprir uma palavra dada quando ela se torna prejudicial. Para punir use terceiros e para elogiar, apareça.
A cruz pode ser bem mais leve se souberes usar a espada. O mau costume desaparece diante da forte capacidade de adaptação humana. Ensina-se pelo exemplo.
Não se deve adiar uma guerra. É preciso conquistar as pessoas. Surpreenda aos que de ti, esperam o mal.

 

Por Sandro Olivier