Autoridades alertam para aumento de casos de dengue em Miracema e pedem apoio da população

Representantes da Secretaria Municipal de Saúde participaram, nesta terça-feira (3), do programa “Conversando com a Prefeita Alessandra”, na Rádio Princesinha do Norte, em Miracema. O programa é apresentado pelo radialista Messias Vieira.

Estiveram presentes o chefe do Controle de Vetores, Jonei Ramos; a médica ginecologista e obstetra e coordenadora dos PSFs, Dra. Vanusa Guterres; e o fiscal de Obras e Posturas, Alessandro Quintal. O tema central foi o avanço dos casos de dengue no município.

Situação é considerada preocupante

De acordo com Jonei Reis, o cenário atual exige atenção redobrada. “Estamos com 39 casos confirmados e dezenas de casos suspeitos circulando na cidade. O que mais preocupa são as internações. Já temos registros de complicações, inclusive casos com sinais hemorrágicos”, afirmou. Segundo ele, os casos estão concentrados principalmente na região central, embora o índice de infestação seja considerado mais baixo nessa área. Outros bairros apresentam situação mais crítica, como Jardim Beverly, Nossa Senhora de Fátima, Santa Tereza, Boa Vista, Cruzeiro, CEHAB e o distrito de Paraíso do Tobias.

Em uma ação realizada no bairro Nossa Senhora de Fátima, foi identificado índice de infestação de 17%, ou seja, 17 imóveis com focos do mosquito a cada 100 vistoriados — percentual considerado muito alto pelas autoridades de saúde.

Crescimento dos casos e risco de epidemia

O chefe do Controle de Vetores explicou que o município já iniciou ações de bloqueio com aplicação de inseticida por meio do carro de UBV pesada (fumacê), com raio de atuação de 300 metros ao redor de casos confirmados. No entanto, ele ressaltou que a medida é emergencial e não resolve o problema sozinha. “O inseticida elimina cerca de 50% a 60% dos mosquitos que estão no ar. Mas, se a população não eliminar os focos dentro de casa, não conseguimos quebrar o ciclo de vida do mosquito”, destacou.

Jonei ainda alertou para o risco de resistência do mosquito ao inseticida caso o uso seja prolongado, além dos impactos ambientais. “O fumacê é a última arma. Precisamos eliminar os depósitos de água parada. Dez minutos por semana são suficientes para vistoriar o quintal”, reforçou. Entre os principais criadouros estão pneus, ralos sem tela, bandejas de ar-condicionado, bandejas de geladeira, pratos de plantas e recipientes descartados nos quintais.

Chefe do Controle de Vetores de Miracema, Jonei Ramos.

Sintomas e sinais de alerta

A Dra. Vanusa Guterres explicou que a dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e que o período de incubação varia de quatro a dez dias após a picada. Os sintomas mais comuns da dengue clássica incluem: febre alta; dor nas articulações e musculatura; dor atrás dos olhos; vômitos e cansaço intenso. Já os sinais de alerta para agravamento da doença são: dor abdominal intensa e persistente; vômitos contínuos; sangramentos (gengiva ou nariz); pele fria e queda de pressão e fraqueza.

Segundo a médica, somente nas últimas 24 horas foram notificados 18 novos casos suspeitos em investigação. “Estamos com aumento significativo nos atendimentos no pronto-socorro e já houve internações e transferências. Se continuar nesse ritmo, há risco de evolução para epidemia. Hoje ainda é considerado surto”, explicou.

Fiscalização atua no apoio

O fiscal de Obras e Posturas, Alessandro Quintal, destacou que a equipe atua em apoio ao Controle de Vetores, principalmente em denúncias relacionadas a terrenos abandonados e acúmulo de lixo. Segundo ele, embora os terrenos com mato alto sejam um problema, muitas vezes os focos são encontrados dentro das próprias residências. “A orientação é sempre o primeiro passo. Precisamos da colaboração de todos. Às vezes encontramos mais focos nas casas do que nos terrenos baldios”, afirmou.

As autoridades reforçam que o combate à dengue depende diretamente da participação da população, com a eliminação de qualquer recipiente que possa acumular água parada. A recomendação é que cada morador reserve ao menos 10 minutos por semana para vistoriar seu imóvel e eliminar possíveis criadouros do mosquito.

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